NUM 1180 – FADO NEGRO

Posted in Fado on July 21, 2009 by Numérica

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Produção, direcção e misturas / Produced, directed and mixed by: Fernando Girão

Gravado por / Recorded by: João Cabeleira

Timbre Estúdios – Lisboa / Timbre Studios – Lisbon

Masterizado por / Mastering by: Nick Litwin – Mastering Mansion Madrid

Produtor executivo / Executive producer: Fernando Rocha

Consultor jurídico / Legal adviser: Carlos Madureira

MÚSICOS/MUSICIANS:

Bernardo Couto: guitarra portuguesa / portuguese guitar

João Cabeleira: guitarra clássica / classical guitar

Filipe Larsen: baixo acústico / acoustic bass

Zézé N’Gambi: cajón peruano e shaker / peruvian cajón and shaker

Rubem Dantas: percussão de madeira / wooden percussion

Ernesto Leite: piano acústico, faixas 7 e 9 / acoustic piano, tracks 7 and 9

Diogo Clemente: viola de fado, faixas 11 e 12 / fado guitar, tracks 11 and 12

Fernando Girão: voz, guitarra clássica e percussão de madeira

voice, classical guitar and wooden percussion

Poemas e composições de / Lirycs and compositions by: Fernando Girão

Foto da capa gentilmente cedida por / Cover photo by: Dr. Feliciano Guimarães


ASSUNTOS COM DEUS


Imaginar-te no horizonte

Na sua linha deitada

O sol a entrar dentro de ti

Inventa a luz das madrugadas

Se eu fosse um cavaleiro

Teria no punho da espada

A Cruz de Cristo em vermelho

E a tua Alma gravada

E passam os anos

E passa o tempo

E a única certeza

É tudo acabar…

Os meus assuntos

Resolvo

Eu com Deus

Não me perguntes

Aquilo

Que eu não quero dizer

Dá-me um motivo

Que possa

Fazer-me feliz

Eu dou-te a vida

Em troca de um sim

Enquanto dorme a cidade

Viaja o meu pensamento

Eu tenho tanto em que pensar

Mas é só em ti que penso

Fernando Girão


SAGRADO E PAGÃO

Penso em ti de varias formas

Das maneiras mais diversas

Umas são dentro das normas

Outras são loucas perversas

Já visitamos Planetas

Sem sair do nosso quarto

É tão grande o meu prazer

Que eu de te amar não me farto

Já rezei dentro de ti

Com tamanha devoção

Que até Deus achou bonito

A pureza do tesão!

Se engana quem disser

Que o profano e o Divino

São sempre contradição

A prova disso é o teu corpo

Que para mim é um Templo

Entre o Sagrado e o pagão

Fernando Girão


TRIBO DOS QUE FALAM

Sou da tribo dos que falam

Que não calam as idéias

Dos que fervem o azeite

E defendem as muralhas

Permaneço no meu posto

Até a última investida

Eu só tenho amor à vida

Se a vida tiver amor

Sou da tribo dos que falam

Que não calam as idéias

Dos que acham que a vida

Deve ser vivida inteira

Acredito no que dizes

Acredito no que fazes

Só faço aquilo que manda

A voz do meu coração

Não temos nada a perder

Somos os outros

Marginais

Ladrões de sonhos e paixões

Somos da terra de Camões

A herança dos nossos pais

Sou da tribo dos que falam

Que não calam as idéias

Que não temem ameaças

Represálias caras feias

Somos nós que incomodamos

Quem não quer ser incomodado

Somos da terra do Fado

E temos muito a dizer

Fernando Girão


À ESPERA QUE VENHAS UM DIA

Já passei a fronteira do todo

Nada é novo para mim

Já nada me faz delirar

Tudo tem o mesmo fim

Eu já não sinto saudade

Eu agora sou assim

Só quero um pequeno lugar

E lá plantar o meu jardim

Vem que eu enfrento contigo

A tensão do nosso tempo

Faz-me tu uma surpresa

Enquanto eu ainda aguento

Vem senão eu enlouqueço

Dentro da monotonia

Vem porque eu ainda vivo

À espera que venhas um dia

Fernando Girão


LENTO VERÃO

O Verão passava lento

Como um calmo por do sol

A tua chegada parou o trabalho

Dos homens na plantação

A vida voltou a ter gosto

Como num filme, como um milagre

Toda a pequena cidade

Dedicou-te o mês de Agosto

Eu mudei a minha vida

Os meus hábitos e vícios

A tua chegada provocou em mim

A entrada noutra dimensão

És o bálsamo que acalma

As feridas que o mundo me fez

E eu sem pensar de uma só vez

Entreguei-te a minha alma

Dá-me dias de amizade

Dá-me noites de paixão

Dá-me a calma e a coragem

Dá-me a mais louca viagem

Porque é teu meu coração

Fernando Girão


NESSE DIA MEU AMOR…

Se algum dia as palavras

Ficarem fartas de mim

E eu não puder junta-las
De uma forma diferente
Nesse dia meu amor
Eu deixarei de ser gente

Se eu não escrever mais nada

E ficar adormecido

Ou nas noites sem dormir

Eu não conseguir criar

Nesse dia meu amor

Eu deixarei de te amar

Se eu não conseguir algum dia

Inventar as harmonias

Ou construir as melodias

Da forma que hoje eu sei

Nesse dia meu amor

Nesse dia eu morrerei

Fernando Girão


A NÃO SER PODER AMAR

Queria entrar dentro de ti

Com toda a minha verdade

Como uma sonda penetrar

Na essência da tua intimidade

Queria às vezes ser mulher

Para gozar tanto como tu

Que o meu prazer fosse igual

Ao que é o teu prazer

Gostaria de ser um Deus

Sem regras para cumprir

Para não ter de dormir

De comer, de trabalhar

Gostaria de nada fazer

A não ser poder amar

Fernando Girão


MILHÕES DE OUTROS COMO EU…

Nunca disse a ninguém

Que era perfeito

E assumo os defeitos

Que Deus me quis dar

Nunca te fiz pensar

Que a vida ao meu lado

Era o melhor que a vida

Te podia dar

Eu lembro-me bem

Das coisas que falei

Disse-te a verdade

Quem eu sou

Não sou nada mais

Do que alguém igual

A milhões de outros como eu

Não me importa a raça

Nem a opinião

Só importa a cõr da intenção

Sou…

Um louco

Louco por ainda acreditar

Eu sou de uma tribo

Da religião

Em que Deus se chama coração

Fernando Girão


LONGAS NOITES DE ANSIEDADE

Nas longas noites de ansiedade

Quando não estás comigo

Nas longas noites de ansiedade

Que são para mim um castigo

Eu não encontro sossego

Nos lençóis da nossa cama

E quando as vezes tenho medo

Eu me agarro ao teu pijama

Quando não estás comigo

Vai um pedaço de mim

Vou contigo até ao fim

Eu já sou parte de ti

Vem

Que viver só vale a pena

Se

A vida for plena e com amor

Vem

Porque a vida é tão pequena

Não me lembro do passado

Já esqueci a nossa dor

Fernando Girão


A LUZ DA ESSÊNCIA

As lembranças deixaram

De me fazer mal

Com o passar do tempo

Em silêncio eu convivo

Com as surpresas do presente

Mas às vezes não consigo

Que a tua imagem se ausente

Estarás sempre aqui

És parte da minha mente

Ajo sempre de maneira semelhante

Mas cada caso é um caso

Um Universo distante

Desculpo a minha inconsciência

Atrás dos muros da Arte

E choro a tua ausencia

Quando invento outra paixão

Como um cego procura

A luz Sagrada da essência

Fernando Girão

NUM 1180